Envelhecimento no século XXI

Envelhecimento no século XXI

Bem pouco tempo atrás imaginávamos que aos 50 anos seríamos velhos e a morte já estaria à espreita, mas o tempo passou e ao contrário daquele pensamento ingênuo estamos conseguindo números bastante longevos em comparação aos de gerações anteriores que mal chegavam ao cinquentenário. Sem muito esforço consigo pensar em nomes de conhecidos meus que estão além dos 90 anos e o melhor de tudo, em alguns casos, ainda ativos.

Claro que o envelhecer não é fácil, mesmo que inventem denominações como -A melhor idade -Feliz-idade ou alguma outra nomenclatura que tente colocar esse período como a melhor idade que podemos ou poderíamos ter, a verdade é que em cada período de nossas vidas encontramos as dificuldades pertinentes a cada uma delas.

Se meses depois do nascer nossas dificuldades mais comuns são o nascer dos dentes, engatinhar, expressar através da fala, andar, e etc. na terceira idade (após os 65 anos) para muitos de nós os problemas similares aos da primeira infância, retornarão.

Estou iniciando esse texto desse modo por que li hoje, em matéria publicada pela Folha, 19/09 caderno B1, escrito pela jornalista Cláudia Collucci – sob o tema: Novos idosos chegam à velhice com mais doenças crônicas e limitações – e me coloquei a pensar um pouco a respeito do tema.

A matéria destaca alguns problemas que mesmo aos 50, falando de mim mesmo, em virtude do tratamento a que estou submetido atualmente, de certa forma apresento. Estou me referindo a um modo de caminhar cuja marcha tem alguma diferença em relação ao modo como caminhava meses atrás e mesmo nos dedos das mãos uma certa perda da sensibilidade e força muscular. No meu caso é possível e bastante provável que após o tratamento consiga recuperar completamente a marcha e a força nas mãos e dedos. Mas estes problemas que mencionei são muito mais comuns aos novos idosos, citados na matéria, com mais de 60 anos.

Alguns dados da matéria são ao meu ver muito preocupantes, em especial por que os dados referem-se à cidade de São Paulo com 13% de idosos, cidade que merece destaque por ser a mais rica do país e, portanto, com mais recursos, o que também pode significar que outros sintomas podem ser mais gritantes em outros confins do nosso país de dimensões continentais, dentre os destaques da matéria estão:

  • Doença articular com crescimento de 32% (2000) para 33% (2015/16)
  • Diabetes 18% (2000) para 25% (2015/16)
  • Câncer 3,3% (2000) para 8% (2015/16)
  • Dificuldades em atividades básicas 10% (2000) para 16% (2015/16) – exemplo banho, alimentação e até higiene pessoal.
  • Atividades instrumentais 23% (2000) para 36% (2015/16) – exemplo, utilizar transporte público.

Muitos dos problemas são eminentemente pertinentes ao processo de envelhecimento, mas em muitos casos são em decorrência de medicações fortes utilizadas em tratamentos como o câncer; outros dos problemas surgem até mesmo pelos excessos que a própria cidade oferece; aos que atualmente estão nessa faixa etária, deve-se lembrar ainda de uma moda que durou até bem pouco tempo em que era chique e elegante fumar, quase símbolo de poder; sobrepeso; etc.

Os problemas referenciados foram todos relacionados às questões físicas, isto é, não levam em conta outros aspectos psicológicos como os transtornos de ansiedade, humor, e os tantos outros aspectos comuns da faixa etária e que podem ser efeitos secundários dos aspectos físicos ou ainda os aspectos físicos serem efeitos secundários de questões psicológicas.

Esses dados são preocupantes, mas o que mais chama atenção se deve ao fato de que, como destaca a matéria, atualmente temos cerca de 29,4 milhões de idosos ou 14%, em 12 anos serão 41,5 milhões chegando a 18% da população. Isto significa que nossa população está envelhecendo bastante rapidamente e de acordo com o IBGE, seremos um país de idosos até 2050 com nada menos que 66,5 milhões de idosos.

Estima-se, conforme dados do IBGE, que em 2050 a população inativa (exclusão de crianças com até 14 anos de idade e idosos com idade superior a 59 anos), chegará a 76,8 por 100 habitantes, ou seja, toda a carga do custo das politicas públicas ficará a cargo das 33,2 pessoas em idade ativa. Isso significa em outras palavras que mudanças muito sérias e profundas nas politicas públicas precisa ser pensada a permitir que essa faixa da população ativa consiga suportar o peso da população inativa.

Nesse momento é possível até parafrasear aquela “Que Brasil você espera para o futuro?” para Que velhice você quer para você?”

Vale refletir a respeito disso e começar a trabalhar pelo que você deseja.

Além da matéria já citada foi utilizado:

SIMÕES, C. C. S. Relação entre as alterações Históricas na dinâmica demográfica Brasileira e os impactos decorrentes do processo de envelhecimento da população. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, 2016. 116 p.

Psicólogo Altair Oliveira

Graduado pela universidade Paulista - UNIP, é pós-graduado especialista em Psicologia Clínica, pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de Misericórdia de São Paulo, com atuação em consultório particular voltado ao tratamento e acompanhamentos psicológicos e psicoterapia, acompanhamento psico-oncológico, depressão, síndrome do pânico e outras demandas psicológicas.

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