Enfrentamento do câncer no Brasil

Enfrentamento do câncer no Brasil

Tive a possibilidade de ler a Declaração para Melhoria da Atenção ao Câncer no Brasil, documento que é elaborado pelo TJCC (Todos Juntos Contra o Câncer) e que visa colaborar com o Poder Público na melhoria e formulação de políticas para o enfrentamento das doenças oncológicas.

O documento identifica alguns dos problemas e, sobretudo, aponta e propõe algumas possibilidades de soluções. Se factíveis ou não é uma outra história, mas propõe soluções e isto já vale pela leitura ao invés de simplesmente apresentar somente os problemas.

Além de chamar a atenção para o documento que, em minha opinião, repito, vale à pena e deve ser lido e, em concordando com as proposições, assinar a consulta pública, destaco a seguir alguns desses aspectos, pois são de grande relevância na compreensão do documento.

  1. No mundo são 18.1 milhões de novos casos ano com expectativa de que em 2018 tenham sido 9.6 milhões de óbitos, de acordo com os dados do IARC – Centro Internacional para Pesquisa do Câncer, subordinado à OMS – Organização Mundial da Saúde, e deve aumentar em 50% nas próximas duas décadas;
  2. Estima-se, conforme levantamento INCA – Instituto Nacional de Câncer, para o biênio 2018 e 2019 serão 600.000 novos casos em cada ano;
  3. No Brasil já é a segunda maior causa de morte, superada apenas pelos casos de doenças cardiovasculares, sendo que para 516 municípios já é a principal causa e deve se tornar a principal causa em 2019;
  4. Em 2012 foram 191.577 óbitos, e em 2016, 215.217 – com tendência de crescimento de 0,17 casos / 10.000 habitantes / ano. Esse dado contrasta com a informação atribuída ao México, afirmando que no Brasil é 210% maior que naquele país.

De modo geral todos estes números são no mínimo alarmantes, e confirmam o que vemos no dia-a-dia. Isto é, se você verificar ao seu redor, certamente saberá de alguém que esteve ou está se tratando de algum tipo de câncer.

Parte desse crescimento no número de casos, conforme exposto na pág. 5, é atribuído à mudança demográfica com a urbanização da população, à industrialização, e também às mudanças de hábitos e estilo de vida, levando a população à exposição e riscos pertinentes ao mundo contemporâneo.

O Brasil, conforme a constituição de 1988, criou o Sistema Único de Saúde e a colocou como um direito do cidadão e um dever do Estado. Esse aspecto merece sem dúvida alguma, especial atenção, pois, se de um lado torna o estado responsável por proporcionar as condições básicas para a manutenção da saúde, por outro coloca o cidadão com alguém à espera do serviço e assim, tira em parte a responsabilidade pelo cuidar de si – o autocuidado.

Percebo na prática e pela simples observação que os grandes hospitais têm se tornado Centros Oncológicos, alguns destes até bem pouco tempo eram maternidades. Que ironia, antes o lugar do nascer e agora o lugar de manter ou tentar evitar a segunda principal causa mortis.

Talvez esteja nesse aspecto, ao menos, uma parte da explicação de aumento tão expressivo no crescimento do número de casos, não que de fato não estejam acontecendo, mas é possível inferir que mais casos estejam sendo descobertos e relatados justamente por haver mais centros especializados no diagnóstico e tratamento.

Se antes não havia tanto espaço destinado ao tratamento e diagnóstico, muitos casos passavam despercebidos e ou eram tratados como outras questões que não o câncer.

O relatório traz como necessário e imprescindível a prevenção, e isso se faz com informação na base junto à população, que não é só a mais carente e de forma clara, objetiva.

É preciso deixar claro que a prevenção se dá:

  • nos exames periódicos e de rotina;
  • está na possibilidade de hábitos mais saudáveis com a redução do tabagismo e alcoolismo;
  • medidas de higiene e cuidado com alimentação;
  • campanhas de prevenção, promoção e diagnóstico eficientes, dentre outras.

O enfrentamento do câncer se dá no cuidado no dia-a-dia, se dá na prevenção e na realização dos exames periódicos e também na possibilidade de solicitar políticas públicas mais adequadas ao enfrentamento da situação.

Interessou-se, leia o texto completo e se adequado assine a consulta pública disponível em:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdG9L6u0xC4KQLW_vwz1JziNVfku967tu7ArYSobD8aacA1Kg/viewform

Psicólogo Altair Oliveira

Graduado pela universidade Paulista - UNIP, é pós-graduado especialista em Psicologia Clínica, pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de Misericórdia de São Paulo, com atuação em consultório particular voltado ao tratamento e acompanhamentos psicológicos e psicoterapia, acompanhamento psico-oncológico, depressão, síndrome do pânico e outras demandas psicológicas.

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